Quando a alma deseja

A PALAVRA SÓ É LIVRE QUANDO FLUI PARA DENTRO DA MENTE, DO CORAÇÃO E DA
ALMA SEM RANCORES, DISTORÇÕES E FALSIDADES.

"Não acredite em algo simplesmente porque ouviu.

Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito.

Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos.

Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade.

Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração.

Mas, depois de muita análise e observação, se você vir que algo concorda com a razão

e conduz ao bem e ao beneficio de todos, aceite-o e viva-o."

Sidarta Gautama (Buda)


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Doping legal?!?

Amigos e amigas.
A mais recente crise esportiva foi deflagrada por hackers russos que invadiram o sigilo da WADA (Agência Mundial Anti-Doping) e revelaram que ao menos quatro atletas ianques (as irmãs Williams, Elena Delle Donne e Simone Biles) fazem uso "legal" de substâncias ilegais, esteróides. Vários de seus testes durante a Olimpíada do Rio deram positivo, mas foram ocultados pela WADA, sob a desculpa de que elas tinham permissão de usar tais remédios. Há poucos dias, outros atletas foram acusados.

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Afirmar que ela mantém tudo isso aos 34 anos
apenas com exercícios e alimentação
é, no mínimo, deboche
"O principal problema é o padrão duplo: Maria Sharapova foi suspensa por causa de meldonium absolutamente inócuo, enquanto as irmãs Williams estão usando drogas ilegais que são prescritas para pacientes com câncer. Isso tudo é feito em privado", diz Andrei Mitkov, agente esportivo russo. "Estes são jogos políticos sérios. É um monte de dinheiro e de influências. Agora, a WADA pode anular qualquer campeão ou designar qualquer campeão. O COI tenta resistir." (...)


"No esporte a administração destes medicamentos é proibida, porque eles suprimem a dor, a pessoa não sente as barreiras aos seus esforços e danifica sua saúde. Isto dá uma vantagem significativa aos atletas, uma vez que elimina a dor que impede de chegar à meta, ou de jogar até ao fim. (...) Tudo isso provoca mais danos para a saúde, mas quando os atletas concorrem em alto nível, para eles isto é irrelevante. O importante é vencer" (Retirado DAQUI)

Que ridículo: as irmãs Willians podem fazer uso de remédios poderosos, prescritos a pessoas com câncer, mas a russa Maria Sharapova fazer uso de uma substância inócua como remédio (meldonium, que só recentemente passou a ser considerada dopante)  foi suficiente para enviá-la ao ostracismo: foi punida com dois anos de suspensão.

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Mega-campeã!... A que custo? De que maneira?
Já a ginasta olímpica mais badalada do momento, Simone Biles, pode fazer uso de substâncias contra déficit de atenção e hiperatividade (anfetamina e metilfenidato) há muito tempo. São princípios ativos para o sistema nervoso central, que podem deixar a pessoa "ligadaça", menos sensível ao cansaço, à dor, a receios. Desta maneira, enquanto sob o efeito delas, ela ousa arriscar, ultrapassar limites, ciente de que só sentirá os efeitos deletérios do tremendo esforço a mais no outro dia.

Mais uma vez, dois pesos e duas medidas: enquanto a Rússia foi massacrada pelo mundo pelo escândalo do esquema de doping que atingiu muitos de seus atletas, os atletas estadunidenses gozam da proteção da sua mídia e, até, da agência que os deveria punir, como fez com os russos. Algumas exceções na História (impossíveis até de amenizar) foram os pilantras estadunidenses Lance Armstrong, Marion Jones e Tim Montgomery, todos execrados e banidos do esporte.

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Vitórias sorrindo, enquanto a de trás,...!

Porém, o caso mais grotesco para mim é o de Florence Grifith-Joyner, super velocista estadunidense que, na Olimpíada de Seul em 1988, surpreendeu o mundo ao estabelecer tempos surreais para os 100 m (10,49 s) e os 200 m (21,34 s), que duram até hoje, além dos inacreditáveis 48,07 s no revezamento 4x400 m (prova em que nunca foi especialista!). Só comparando: a medalha de ouro nos 400 m nesses mesmos Jogos Olímpicos foi da russa Olga Bryzgina, com "meros" 48,65 s! E vejam este detalhe "curioso" sobre a supercampeã:

"Até 1987, trabalhando como bancária e cabeleireira
Muitas pessoas estavam mais que surpresas, estavam incrédulas. O que tornava seu sucesso em Indiana ainda mais ilógico é que ela havia abandonado o atletismo em 1986, para se dedicar ao seu emprego de bancária e, à noite, de cabeleireira. Quando decidiu voltar em abril de 1987, estava com quilos de sobrepeso. Em pouco mais de quatro meses, conquistou a medalha de prata no Campeonato Mundial de Roma." Retirado DAQUI.

Ou seja, em apenas pouco mais de um ano, ela saiu da aposentadoria para o Olimpo do atletismo! Mais dois detalhes: alguns meses após seu supremo feito em Seul, ela deixou as provas de velocidade (dizem, para não arriscar ser pega por exames antidoping que passariam a ser mais rigorosos e de surpresa) e quis se aventurar na maratona! E faleceu com apenas 38 anos, de ataque epiléptico severo, que se iniciaram três anos antes. Motivo de ter adquirido tal patologia: ignorado. Muito conveniente!

Em resumo, quem manda, pode! O resto,... o nome já diz tudo: não passa de resto!
FAB29

Adendo (28/01/2017): As irmãs Williams acabam de protagonizar mais uma vez uma final de Grand Slam, onde a caçula tornou-se a maior vencedora de Slams da era aberta. Fazer o quê se todo o tênis mundial se omite em reclamar do fato de duas jogadoras jogarem dopadas "legalmente"? O que mais me é aversivo é a grande mídia incensar, glamourizar as duas, colocando-as como "exemplos de vitoriosas".



Logo após o último ponto, o comentarista da ESPN dizendo "Que cena linda!" do abraço das duas foi só o preâmbulo desta matéria, em que a mídia vendida investe na emoção para mascarar a covardia de se colocar pessoas "legalmente" dopadas contra tantas outras que se matam de treinar, mas, geralmente, perdem para elas.
Como vocês se sentiriam vendo seus filhos, irmãos ou amigos fazendo tudo certo e sendo passados constantemente para trás com tais "legalidades"?

Adendo 2 (29/01/2017): Opostamente ao jogo de dopadas, a final masculina entre Federer e Nadal foi digna do Olimpo do Tênis. Que maravilha foi testemunhar essa lindeza!

Nadal x Federer, final do Aberto da Austrália (Foto: Clive Brunskill / Staff / Getty Images)